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Rosnar, ladrar e
abocanhar são tudo sinais comunicativos caninos,
isto é, a forma que os cães têm de dizer
“Afasta-te”. Na grande maioria das vezes estes
sinais comunicativos são os suficientes para as
pessoa realmente se afastarem e acidentes são
assim evitados. Claro que o cão que se sente
necessidade de usar esses sinais comunicativos
com as pessoas é um excelente candidato a um
protocolo de modificação comportamental, onde se
lhe ensinará outros comportamentos mais
aceitáveis e seguros para ambas as pessoas e o
cão, mas o cão que não usa sinais nenhuns desses
sinais para comunicar o seu desconforto em
determinadas situações é um cão bem mais
perigoso. Este é o cão que morde sem aviso.
Mesmo o cão mais
bem socializado, educado e tolerante não está
livre de ter um encontro ou incidente com uma
pessoa. A grande maioria dos cães têm estes
encontros e incidentes na sua vida. A questão
mais importante a colocar é o que faz o cão
quando está suficientemente zangado ao ponto de
morder? Aqui entra o conceito de inibição de
mordida que é a força que o cão aplica quando
morde. Quanto maior ou melhor fôr a inibição de
mordida de um cão, melhor serão as hipóteses
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que
este cão terá de efectuar pouco ou mesmo nenhum dano
quando e contacto com pele humana.
O Dr.
Frank Beach e o Dr. Ian Dunbar conduziram cerca de uma
década de estudos numa colónia de cães (um de apenas
dois estudos deste género praticados em cão domésticos),
na Universidade da Califórnia em Berkeley em meados dos
anos 70. Observaram que, tal como os lobos, à medida que
os cães cresciam no meio dos da sua espécie, eles
aprendiam a moderar a força da suas mordidas uns com os
outros, mesmo quando no meio de confrontamentos mais
sérios. Os mais novos aprendiam durante sessões de
brincadeira que se aplicassem muita força com os seus
dentes de agulha, os seus companheiros de brincadeira
ganiam e cessavam a brincadeira. Ter que suspender a
brincadeira enquanto o seu companheiro lambe as feridas
é um castigo poderoso para um animal tão social.
Os
cachorros também aprendem a morder gentilmente sem
causar dano. É bem provável que o caminho mais eficaz
para a diminuição de acidentes de mordidas por cães será
focar numa criação e treino de cães com maior facilidade
na aquisição deste comportamento chamado inibição de
mordida. Um cão adulto com uma história de mordidas,
arranhões e mordidas que não causaram dano é
discutivelmente mais seguro que o animal mais tolerante.
Todos os cães têm o seu limite.
Quando
levamos as nossas crianças a um parque para brincarem
nos escorregas e nos baloiços, sabemos sempre que
corremos um risco que elas caiam e se magoem. No
entanto, não passa pela cabeça de ninguém extinguir
estes divertimentos dos parques. As medidas passam por
tornar estes parques e estas diversões o mais seguras
possíveis, no sentido de que se a criança realmente cair
do baloiço ou do escorrega, não se magoe. O ensino da
inibição de mordida baseia-se na mesma permissa, ou
seja, através do ensino deste comportamento não vamos
esperar que os cães deixem de morder, mas sim tomar
medidas que garantam que se isso acontecer o dano
causado pela mordida seja mínimo ou nulo.
Fonte:
Dogs bite but Ballons and Slipper are more dangerous by
Janis Bradley
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